Com 747 atendimentos em 2025, a iniciativa permite que vítimas de violência doméstica solicitem proteção via canais digitais sem sair de casa

O Projeto Poly encerrou o ano de 2025 com resultados que consolidam a iniciativa como uma ferramenta estratégica no combate ao feminicídio e à violência doméstica no estado, alcançando a marca de 747 atendimentos e 97,5% de deferimento das medidas protetivas de urgência protocoladas junto ao Poder Judiciário. O balanço está sendo divulgado nesta terça-feira, 20.
Ao longo do último ano, o projeto acolheu 747 vítimas. Além da celeridade nas medidas protetivas, o trabalho investigativo remoto resultou na expedição e cumprimento de dois mandados de prisão e na apreensão de uma arma de fogo. Segundo Rosana Freitas, coordenadora das Delegacias da Capital, o projeto coordenado pela delegada Clarissa Lobo com apoio da oficial investigadora Daniela Porto tem sido fundamental para evitar o escalonamento da violência.
“Os números de feminicídio mostram que, em quase a totalidade dos casos fatais registrados no ano passado, apenas uma vítima havia feito comunicação prévia à polícia. O Projeto Poly rompe essa barreira, permitindo que a mulher peça ajuda antes que a situação chegue a níveis extremos”, destacou a delegada.
O funcionamento do Poly baseia-se na descentralização do atendimento. A vítima pode realizar todo o procedimento desde o relato inicial até o envio de provas como fotos e documentos através de um celular, sem a necessidade de deslocamento imediato a uma unidade física.
“Muitas vezes, a vítima no interior enfrenta dificuldades financeiras ou territoriais, ou o deslocamento até a delegacia a expõe ainda mais ao agressor. No Poly, ela agenda o atendimento em um horário seguro e fala de onde estiver”, explicou Rosana Freitas. As oitivas são realizadas por uma equipe de oficiais investigadores plantonistas e as medidas são analisadas e encaminhadas ao Judiciário de forma ágil.
O Projeto Poly
Lançado em junho de 2024 pela Polícia Civil de Sergipe, o Projeto Poly é uma frente de atendimento virtual voltada exclusivamente para mulheres em situação de vulnerabilidade. O objetivo é ampliar o acesso à Justiça, garantindo que a rede de proteção chegue a todas as localidades do estado de forma rápida e eficiente.
O projeto faz parte de uma rede de proteção à mulher, esta que, muitas vezes, se vê sozinha nesses casos. O atendimento virtual é realizado por uma equipe composta exclusivamente por mulheres. O registro funciona 24 horas e a vítima pode escolher o horário que lhe for mais conveniente para o atendimento. No entanto, é importante ressaltar que o agendamento segue um horário específico: pode ser feito das 7h até 00h, de segunda a segunda.
Para ter acesso ao serviço, é necessário apenas um aparelho celular com acesso à internet para o envio de imagens e realização da oitiva por vídeo.





